quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Decalque

Talvez a fala breve de uma folha,
talvez o gesto leve de um inseto
talvez o grito alto de um tigre

Em mim, essa conversa alucinada
de ser eu mesma e quase outra,
uns pés a frente e a alma longe.

Acordo, diariamente, neste corpo,
Belisco o corpo e então me certifico,
que ainda sou, idêntica e cópia,


na fala breve, feito folha,
no gesto leve, feito inseto
no grito alto, o meu tigre.

7 comentários:

Í.ta** disse...

esses muitos que nos habitam, não é mesmo?

esses seres e corpos que são também nossos.

achei perfeita tua construção!

tem poema também lá no um-sentir :)

beijos!

Eliana Mara de Freitas disse...

Italo, querido,

passei por lá, e tem mais que poemas.
Tem muita sensibilidade e partilha.

Beijos

Gerana Damulakis disse...

Adorei E, vc sabe.

Lidi disse...

Somos tantos, tantas...
Bjs, Li.

Mauro disse...

Somos como um diamente, várias facetas, algumas ainda não visíveis e cada um dos diamantes diferente do outro, porque não há dois diamantes iguais no mundo.
Prometi a mim mesmo não mais terminar meus comentários com um trocadilho vil, ah ah ah.
Beijos.

Chorik disse...

Li, quer trocar de corpo comigo, como nos filmes?

M. disse...

Amei demais esse. O final, então, meu Deus, é grandioso.