quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A bolsinha

O anjo, dando baforadas de alucinógenos, tranquilamente leu as cartas e disse a ela:
- Das duas, uma: ou vai lavar calcinhas de madame ou vai rodar bolsinha.
Tranquilamente, nasceu. Poderiam ter sido mais delicados. Ela choraria, de qualquer jeito, se lhe dessem tempo antes do tapa. Reagiu, e se soubesse falar teria dito:
- Que pressa é essa? Uma pessoa nasce e já precisa gritar para ser respeitada?
Tranquilamente, cresceu. E das imagens do oráculo, fixou-se na idéia de rodar pelas noites, nas ruas vertiginosas da noite, nas ruas encantadas da noite.
Desenhou o destino: com um vestido vaporoso e repleto de bordados e ornamentos, cabelos soltos e sempre limpos, corpo sempre disposto para dançar, no alto de seus sapatinhos de salto e cristal, rodava sua bolsinha mágica. E nesta dança, e neste giro, da sua bolsinha mágica, improvisava. E foi gestando um mundo circular, decorado pelas estrelas, águas, cores, diversidade de mares, folhas e flores engraçadas.

4 comentários:

Noslen ed azuos disse...

ficaria lendo mais, me distraio e vou ornando seu personagem com minha imaginação, mas aí vc acaba, porque tudo tem um fim mesmo, e me deixa só pensando o quanto vc é boa em nisso.

beijos querida!
ns

Anônimo disse...

Parece que "a bolsinha" guarda determinismo e possibilidades

Chorik disse...

Fantástico, Li. Anjo alucinado, prostituta fada. História de muitos de nós.

Bj

Mauro disse...

Celestial e profano. Que tal os dois?