quinta-feira, 5 de março de 2009

Fogo não metafórico arde mesmo!

Sinto falta de certos blogs. Fico preocupada quando algum amigo deixa de escrever num blog. Ou fico apenas curiosa. Não sou (nunca fui!) uma blogueira muito agitada, muito frequente. Tenho blog como espaço para escrita literária. Mas sempre houve um certo desejo de ter um blog mais aberto ao confessional, para compartilhar diariamente minhas vivências ou sensações. Sei que ainda não é o momento.
Acontece que no domingo de Carnaval, depois de horas na revisão do meu livro Fábulas Delicadas (que está com lançamento previsto para maio), saí do quarto para espairecer. Decidi jogar buraco com meus filhos e fui fazer café. E a chaleira de água fervendo caiu nas pernas e barriga. Estou, desde então, passando por um processo doloroso e delicado, com dores e desconforto. Faço curativos diários no Hospital Aliança e fazendo amizades com funcionários e médicos. Já me preparo para escrever uma Crônica Havaiana do mês de março com o título: "Humor no setor de queimados". Estou aprendendo, como escritora de uma coluna mensal de crônicas de humor, que é possível fazer humor sobre tudo mas que a pimenta nos olhos dos outros é que é refresco.
O que eu quero dizer hoje, especialmente para os amigos da Confraria, é que sinto falta de ter tempo (é difícil ter humor e resistência física para escrever, ainda) para conviver nos blogues, para conhecer blogues novos, para acompanhar os blogues de pessoas que conheço e tenho afeto.
Estou com saudades da Mara, da Pathy, da Lu, da Denise, da K, do G, do Comentarista, do Chorik, da Celine, do Almost, do RM, da Alice, do Nuno, da Amélie, e de tantas pessoas dos blogues que sigo e que me seguem.
Ontem, li um trecho do livro que gosto muito, de Rudiger Dahlke, A doença como símbolo.
Quando me queimei eu estava, aparentemente, super feliz e calma, junto com meus filhos. Segundo o Dahlke, queimar-se fisicamente, ainda que por acidente, pode ser interpretado como não ter coragem para expor ou lidar com o fogo interno. E fogo interno pode ser muita coisa boa como paixão, sexo, criatividade, talento, etc.
Tento dar algum sentido simbólico paras as queimaduras e tem um que me conforta: havia um fogo invisível me queimando e talvez eu precisasse desta queimadura para acessar.
O fogo da escrita. O fogo da decisão de ser escritora, decisão sem retorno, decisão que me transforma, com o livro publicado, em "autora". Me chamavam assim, quando fui na Editora Escrituras: "traga um cafezinho para a autora".
Ser escritora de blog não é ainda ser escritora, oficialmente, no Brasil. Não concordo com isso. Mas percebo como o tratamento que tenho recebido agora é mais nobilitador, é mais sofisticado, é mais profissional.
Mas escrever, para mim, veio antes do blog, veio antes do Fábulas Delicadas pronto para ser publicado. Vou lançar meu primeiro livro no mês das noivas. Talvez este fogo, dessa primeira vez, desse parto, desse casamento meu com minha vocação é que tenha se manifestado, simbolicamente, na água quente que queimou meu corpo e me forçou a ficar quieta, em casa, mais em contato com essa força que não posso negar: eu escrevo e isso é de fato meu destino.

Beijos no coração de todos...

(quem quiser ler as
CRônicas Havaianas apareça na www.verbo21.com.br - uma revista eletrõnica de literatura e cultura que eu adoro e da qual faço parte, com muita alegria!

8 comentários:

rm disse...

O metafórico também... rss

O CLARO disse...

Cara Eliana, tudo bem?

Como disse rm, é verdade, ambos ardem.

Fogo de escrita, gostei da definição. Tudo aquilo que deixamos de escrever fica a nos queimar e até deixo de dormir, ou acordo, quando percebo que deixei de escrever sobre algo.

O Mundo tem inscrições sempre abertas e é bom que tenhamos isso em mente. Muda tudo quando se nos colocam esta frase.

Há muitas coisas que nos deixa cativos da curiosidade e é bom saber que acontece o mesmo com você neste espaço super bom na internete.

Escrevo muito para provar que o virtual é insuficiente e ineficaz diante de nossas possibilidades!

Êxito na vida, no livro e no blogue.

Saudações fraternas,

O Claro

Késia Moura disse...

Ah, percebi com esse post que devo sempre aprender com tudo que acontece na nossa vida, acho que até sabia, mas todos os dias preciso de confirmação.
Quando você diz:
Faço curativos diários no Hospital Aliança e fazendo amizades com funcionários e médicos. Já me preparo para escrever uma Crônica Havaiana do mês de março com o título: "Humor no setor de queimados".

Isso me faz perceber, que até nas nossas diciculdades encontramos forças e alegrias para fazer o que mais nos dá prazer.

Beijos e sucesso.

Celine Ramos disse...

Flor querida.
Uma ato fisico, um simbolo psicologico e a alma cheinha de sentido. Mais vida. Mesmo que junto venha mais dor, mais desconforto. Nao gosto da ideia de vida é inseparavel de sofrimento. E a admiro imensamente por saber transformar as coisas em passos, movimentação positiva de vida.

te adoro, melhoras.
POsso te visitar?!

Anônimo disse...

Eliana, não é? Olá.
sou leitora assídua deste espaço, há algum tempo já, mas nunca me atrevera a comentar. até acho que sei o motivo, mas deixo isso agora. afinal estou a fazê-lo pela primeira vez! :)

venho dizer que gosto MUITO do que escreve, o modo como escreve e nos enleia nas palavras! sinto falta quando há muito silêncio aqui.

atabalhoadamente me atrevo só a partilhar consigo o amor que nutro igualmente pela escrita! esse fogo que nos queima deliciosamente, nos expõe no mundo de uma forma ímpar, de VERDADE. acho que sabe do que falo, mas eu não sei escrever...

até sei, ou melhor, eu GOSTO. tenho com a escrita uma relação de infância ( e não sou propriamente jovem...) mas não me reconheço nela quando me imaginava "escitora"...

sei lá o que queria dizer!
apenas parabenizá-la e agradecer-lhe por partilhar connosco este belo espaço, com inscrições sempre abertas.

um abraço!

Noslen ed azuos disse...

Oi Eliana estou voltando e, ...gostaria de ser água, e ser sopro, mas sou apenas um amigo virtual que quer sempre ler a escritora que tu és; ainda estou me reencontrando dentro dos blogs; espero mais histórias.
bjs.

ns

Calila das Mercês disse...

Olá... Espero que esteja bem...

Passei aqui só porque fiz um comentário anterior a uma postagem sua e vc não respondeu!

Espero ser convidada para a noite de autógrafos quando for lançado seu livro... Será um prazer conhecê-la.

Saudações

Eliana Mara Chiossi disse...

Queridas e Queridos:

como fazem os mineirinhos, virei, devargazinho, respondendo...

Calila, a correria tava grande, e depois de queimada, a correria está mais mental porque estou ainda tendo que ficar em meio repouso (o que é muito, muito, muito, novo, pra mim).
Beijos