quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

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Areia na marcação morosa deste dia. Que estará fechado em seguida, e para sempre. Os resíduos deste dia estarão espalhados na memória, pistas de néon e brumas. Dia compartilhado por estranhos, pessoas que nunca vi e jamais saberei que existem. Uns que nasceram, outros que encontraram o alívio e finalmente, o silêncio. Da sobra de fogos de artifícios, algum som reverbera no meu quarto, onde o sol cumpriu o ciclo. Dei início ao novo colar: enfileirando os dias através da minha passagem sobre eles. Os dias são iguais para todos. Exército fraco, auxiliares quixotescos da vida, os dias. Sempre os mesmos, na conta exata. Nem um a mais, nem a menos. E parece que se multiplicam em cada história. Os dias, como os pães e peixes tocados por um hipotético profeta, têm a aparência de um milagre, e se multiplicam, como se tudo fosse real.

2 comentários:

rm disse...

Crônica e quase crítica.

Bela, como sempre.

Esther disse...

palavras escritas para os olhos como uma sinfonia para os ouvidos, um deleite! por isso voltei para lincar vc, encurtando esse lindo caminho,
me darei o prazer de voltar aqui
sempre e sempre.

obrigada pelas suas gentis palavras,
penso como vc e como seria bom
que todos que tivessem essa mesma
linha de pensamento se unissem!

bjs de luz,