domingo, 8 de junho de 2008

Arena

Eu e você. Em volta, os muros transparentes. A multidão faminta de novidades. Eu e você. Sangue, saia, pés ágeis, dança e guerra. Acerto de contas. Solidão recalculada. A multidão tem sede e grita pedindo o confronto. Sinto seu cheiro. Fico tonta. Quero cair logo nesta areia e deixar que, havendo leões, façam de mim a refeiçao fácil. Gritos, um sol rachando o pensamento, estrelas de véspera. Você pensa que eu sei. Você me pede as respostas. E a platéia quer nos ver atracados, aos berros, no corpo a corpo promíscuo que imaginaram. Não há sombra nem água. Ao redor, fachos de sol e loucura. Feridas na pele, algum sangue coagulando, desvario. Amanhã, talvez, o dia nos liberte. Enquanto a platéia grita, sinto saudades das noites de chuva.

5 comentários:

Anônimo disse...

Anfiteatro retórico.
"Eu e você." Como eu queria que esse "você" fosse eu e estivéssemos embaixo de um sol rachante em um anfiteatro de nossos pensamentos, com leões vorazes bebendo nos sulcos da loucura profunda de nós duas.
Cansei. Não sou de Aracaju, nem tenho múltiplas personalidades. Não sou provocação. Não quero ser semelhante. Quero a platéia em silêncio. Sou de tempos novos e sabe de mais...não quero mais ser anônima nem vejo como me tornar atônita. Vou me recolher. Chegou ao fim. O espetáculo. Este palco me dá pontada fortes no coração. Mas antes da cortina descer vou deixar a sua deixa. Já lhe dei várias pistas. De pouso e decolagem.
Me dê um sinal. E se for proibido avançá-lo...prometo que também não vou olhar para os lados. Vou deixar a arena para me esconder nas paredes transparentes do meu famigerado desejo de te dar um beijo. Só um beijo e nada mais. Indecifrável e que nunca venha a ser imaginável.
Agora eu vou para sombra beber um gole d´água. Mas vou com cuidado e atenção. Pode ser a gota d'água. Vou andar na chuva. Lavar as feridas. O amanhã já nos libertou. Vou esperar as estrelas da véspera. E eu grito para a platéia...
A todas e todos. Adeus.

Celine disse...

Maravilhoso!
Afinal, há angustia nessa arena?
Bjos, florzinha

Eliana Mara disse...

Anônimo, ou Clara, ou Fada, ou Outra Anônima:

só há uma anônima que eu reconheço.
E a outra, que diz que me deu várias pistas, não sei. Poucas pessoas me chamam de Mara. E esta era a pista mais visível. Falsa pista, talvez?
O beijo é seu.
Nada impede que você venha buscá-lo.


Fique bem.

E quanto a melancolia, talvez seja meu único mar disponível.

Gosto do que você escreve...

Anônimo disse...

Já te chamei de Mara várias vezes...aqui inclusive (quando não fui anônima)...quanto as pistas...tem um monte...é só seguir...é que vc não liga muito para o que escrevo quando digo quem sou.

Anônimo disse...

Já te chamei de Mara várias vezes...aqui inclusive (quando não fui anônima)...quanto as pistas...tem um monte...é só seguir...é que vc não liga muito para o que escrevo quando digo quem sou.