domingo, 8 de junho de 2008

Esconderijo

Se é proibido, eu te amo anônima. Fico escondida em baixo da cama e só apareço em noite de lua. Espero o ciclo do teu sono de mil anos, ensaiando um beijo indescritível. Se é proibido, te desejo em silêncio. Te ensino a leitura dos lábios que dizem teu nome e descrevem pernas, bocas e sustos. Se é proibido, guardo o momento em que me deste amor e finjo que te desconheço. Atravesso a rua sem olhar para os lados. Se é proibido, guardo o anel entre os meus tesouros. Algum dia, em nosso encontro, cantarei a promessa e a cerimônia. Se é proibido, ficarei cega. Te encontrarei em alguma esquina silenciosa. No meio-dia levantado, no auge explícito do intervalo. E este dia será repleto de cânticos e revelações.

4 comentários:

Anônimo disse...

Mara.
Me dá mais uma aula de leitura de lábios. Gosto da parte que você diz meu nome. Não consigo ler se for proibido. Se for assim...no intervalo silencioso da esquina vou te beijar sem pernas, sem sustos. Só com bocas cegas e surdas e mudas em explícita proibição.E neste dia repleto eu ficarei atônita. Não mais anônima. Apenas em estado de mil anos de solidão. Lua após lua. Se é proibido volto pro esconderijo também.

Clara, disse...

Penso que a "anônima 2" é uma provocação.
Mas gosto de como escreve, apenas não entendo o interesse em confundir-se comigo.

Eliana, Flor... Eu sinto tantas saudades tuas. Os dias parecem multiplicados quando não te vejo.
Tudo faz muito sentido no final das contas. E pára de se debruçar nessa melancolia que te envenena!

p.s: Já que não me dá um nome... escolherei eu mesma algum. Sinto que é hora de começar a criar um rosto.

Vontade de te olhar diferente.

Celine disse...

Florr...
Amei esse texto. O amor anônimo tem algo de muito atraente.
beiijos

Eliana Mara disse...

O que eu escrevo aqui é uma mistura do que eu sou e do que eu não sou também. É um espaço em que respiro, deixo a poeira do lado de fora. É um espaço de escrita. Tem pedaços de verdade, tem pedaços de desejo, tem pedaços de ilusão e várias porções de melancolia. Tem melancolia que me pertence, tem melancolia que adquiro, tem melancolia que imito.
Ter tempo para escrever aqui tem sido uma batalha. E me perdoe se não demonstro, se não me entrego tanto.
E naquilo que for nosso, fora daqui, por que não me escrever ou telefonar?


Beijo.