sexta-feira, 11 de abril de 2008

Contínuo

Colhe com seu abraço o medo que sinto desta noite que virá, sem estrelas e sem música. Abriga no seu peito o choro que escondo de mim mesma. Coloca sua atenção nas minhas palavras não nascidas. Ajeita o lençol enquanto eu me movimento durante o sono. Esteja acordado quando a visita do pior pesadelo chegar. Veja minhas unhas pintadas de vermelho e traduza meu desejo de belezas. Não deixa este despertador tocar. Interrompa a viagem das contas para pagar e das más notícias. Traga água e alimentos, diariamente. E seja o guarda-costas deste aquário. Segura minha mão quando eu estiver passeando na beira deste abismo em volta de ventos e nuvens. Canta como se fosse minha mãe. Fala baixo para não acordar a criança que veio me visitar com seu vestido rosa e uma pequena mala. Beija meu rosto, no caso desta menina ter trazido também minha passagem. Acena várias vezes, quando eu estiver embarcando neste trem.

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