quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Beira

Para Nuno, do Troblogdita, em resposta a uma de suas postagens cheias de lirismo


Este espaço é uma casa. Arrumada em exibição permanente de jardins, águas e decorações. Por vezes, cobrindo com lençóis brancos os móveis, outros tempos. Localizada na estrada, em meio ao nada, feito um posto de gasolina que vende água em copinhos mas não tem troco para uma nota de cem reais. Em volta da estrada, deserto. Imensidão feia de poeira e vento. Vista de longe, parece uma casa-caixa. Nenhum esforço em sua fachada para formular um convite. Raros vizinhos para alardear sua beleza ou falta dela. Ao fechar os olhos, tenho em mim a memória exata da casa. É uma maquinaria feita para agradar. Espera apenas por ele. E isso explica o fato de haver, em todos os cantos, alusões, nobilitações sugeridas. É a casa de um homem só, a quem será dado tratamento de senhor e hóspede. Engenho dos afetos, exposição viva de um desejo. Recebê-lo, lavar seus pés cansados, acolhê-lo sobre lençóis e aromas, protegê-lo se houver sol demais ou noite demais. Louvores, cânticos, danças, prostrações ao solo. A casa estática. A serva espera. A amante enlouquece.

12 comentários:

roman disse...

superlirico

Eliana Mara disse...

Roman, querido

tem muito do que aprendi com você na minha escrita de hoje.
Que bom receber tua visita.


beijos.

Ayeska disse...

A casa, metáfora do corpo, rendeu a você um lindo texto.Parabéns . Ayêska

Aprendiz disse...

Primeiro se fez uma casa, os santuários a imitaram. Escreve sempre...

Noites de Cabíria disse...

Os desejos do seu coração são uma ordem, Vim te ler e ter prazer com isso, sempre. beijos

Juli

Eliana Mara disse...

Juli

vamos combinar assim:
Nas noites de Cabíria, o mundo tem inscrições sempre abertas.
Beijos...

anarresti disse...

:D
é tão bom ler-te, amiga linda.
e tão especial merecer texto tão bom, suculento de tão bom.
abraço.

Joel disse...

tanto tempo que eu não vinha, nem via que fiquei tonto com tantos escritos... só sei que gosto do jeito que tu arrumas as palavras.

Joel disse...

digo, arrumas palavras.

Cláudio Gomes disse...

tuas palavras escapam dos meus olhos. querendo entrar pelos meus ouvidos, ficam por ali lambendo minha nuca como quem deseja sorver meu algodão doce.e eu pisco.

Maria Velho disse...

Um outro e grande beijo para Ti(ou Você, como quiseres!).

Rita Lemos disse...

Eliana, obrigada pela visita lá a casa. A sua tem uma bela janela cheia de luz e água, a minha tem uma maozita de criança a acenar pela "janela".
Apareça sempre por lá, gostei de vir conhecer esta morada.