Passa uma linha imaginária pela cidade onde moro. Os lugares que visito fazem parte do mundo que conheço. Para fora desta linha, os becos, os montes, algum riacho secreto, pedaços de mar, histórias tristes, amantes que se encontram e são felizes. Circulo pela cidade, no ritmo das exigências e há momentos em que seria preciso me perder dentro dela. Vem a noite e os sons que invadem meu quarto, tão familiares, cansam meus olhos. Deito para sonhar com a outra cidade. A cidade que desejo hoje é pequena e desconhecida. Onde me espera um pensão pequena, mas limpa e graciosa. Nesta cidade fora do mapa, quase Pasárgada, quero apenas o anonimato. E sons que inaugurem em mim outra poesia. Quero uma cidade em que eu me perca. Uma cidade onde eu possa me surpreender com a claridade e me tranquilizar com a chuva.
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quinta-feira, 12 de junho de 2008
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Química
Enfileirados ao infinito. Brancos, bípedes, dispersos. No aquário, onde a noite não descansa, o sol de mentira brilha sem calendário. Fingido dia, fome real, simulada. Uma ânsia, uma busca. Sobra comida, um cochilo entre as refeições. E voltam a comer. Até que se feche o círculo e sejam eles a própria refeição que nos introduz neste ciclo. Vida química, vida de neon.
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