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sábado, 31 de outubro de 2009

Deserto

Para Wilson Neves, poeta féerico das imagens


Não é preciso nenhuma poesia nova
para habitar as porções desertas do mundo
No deserto
os grãos espalhados fazem todo o sentido.



Não é preciso nenhuma poesia nova
ou versos
lutando para despertar
o sono antigo e demorado
das pedras no deserto.



Não é preciso nenhuma poesia nova
ou imagens extravagantes
querendo provar que o deserto
precisa ser descrito e enaltecido

O deserto está para sempre ali,
na luta diária contra o vento,
na luta diária contra a noite fria,
na luta diária
do grão e da pedra,
contra os pés insistentes
e as palavras barulhentas dos ciganos



quarta-feira, 29 de abril de 2009

Mapa

Loteamento das cores, mapa das guerras das cores. As cores também fazem guerras. Quando a vida está virada contra mim, e o mundo todo expõe o predomínio absoluto do verde, recolho a resistência do amarelo. O amarelo é meu escudo. Giro o corpo para evitar a arma branca e ágil, vestida da cor intensa que é o amarelo da discórdia. Houve o tempo, quando tudo me feria, sob o reinado marinho, esse exército organizado e azul. E vesti as delicadas farpas do vermelho. E saí atirando gestos rubros, palavras quase quentes, idéias iluminadas de uma certa coragem. Contra o imperialismo azul e celeste, minhas vestes de rainha cega e delirante, minha estirpe sanguinária.