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segunda-feira, 21 de julho de 2008

Portugal

A viagem começa a habitar-me. Traz insetos ágeis que habitam meu ventre. Agita meus pensamentos e quase chega a dar medo. Medo da substância quente que adivinho: alegria.
A viagem começa a me movimentar, toco com pés alados, a beirada de um abismo desejado: o encontro da memória. Ruas pavimentadas de histórias. Sons do fado me embriagando. Sons do fado traduzindo minha disposição para ser triste. Portal das minhas origens. Terra pequena, miniatura de mundos. Minha língua reinventada. Minha língua é o passaporte. Quero ver os nomes das ruas, quero sentir o cheiro que aprendi nos livros. Quero estar de frente para o mar e fechar os olhos. Quero ouvir Lisboa, quero sentir o cheiro e a movimentação diária. Quero driblar a noite de Lisboa. E depois, quero partir, para outros lugares que me falem do país recôndito, terra estrangeira, Portugal.