Nas noites futuras, sigamos esta estrada
Agora transformo você em filho. Estamos na Páscoa. Faço o jogo e escondo o brinquedo, que é doce e faz a sua alegria. Espalho pistas, charadas, pequenos mistérios. Faço perguntas difíceis. Escrevo em dialeto secreto. Marco o chão de pegadas invisíveis. Em todas as palavras que escrevo estão as respostas que entrego. Quero que sejam seus os meus modos de entregar prazeres. Estou quieta, falei demais por tanto tempo. E aqui onde respiro, as palavras me cercam, tenho águas de viagem ao meu redor. As palavras me cercam e constroem caravelas enfileiradas, príncipes felizes, meus cabelos de extensão incálculável. Quero contar a você sobre a mulher velha que me visita. Quero de novo perder a noção do tempo. Quero viver outra vez a manhã em que, juntos, fiéis ao nosso desejo, expulsamos as horas e pessoas e criamos o mundo ao nosso dispor. Eu estou sozinha agora. E isso não me assusta mais. Não quero a certificação nem a posse. Entrego a você o mapa. Deixo portas e janelas despertas. Já está tudo pronto. Todos os dias em que você chegar, iniciaremos a festa renovada.
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quinta-feira, 29 de maio de 2008
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Sul
Eu tatuaria este pássaro em meu peito. Para ver se ele deixa de bater as asas. Fere por dentro, e abala. Faz-me eterna prisioneira do que sente. E sente amor por ti, diariamente. E quando te escondes, o pássaro se movimenta e grita. Na presença de estranhos, chora. É meu o vexame. O pássaro no meu peito, eu tatuaria nos meus pés, para que ele apenas me fizesse fugitiva, todos os instante em que desejo e perco. Eu tatuaria o pássaro em meu ventre, para que ele, no trabalho voluntário da tristeza, parisse em mim uma religião. E talvez, assim tatuado, este pássaro migre, e me leve abrigada em tuas asas.
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