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segunda-feira, 3 de março de 2008

Asas

Uma aparição. Dia de neve disperso no inverno sem novidades. Ou era apenas a música incidental dentro do alto falante do supermercado. Foi só de raspão. O último pedaço de carne no prato e um cão rápido que vai logo para embaixo da mesa. Foi, quem, sabe, pingos de água antes de fecharem todas as torneiras. Fiasco. Sopro. Susto. Soluço. Lapso. Sorvete esquecido no fundo do carro e o verão agindo lá fora. Carreirinha de pontos do tricô e o cachecol perdido. Choque. Grito. Engasgo. Tudo curto, tudo compondo só o tempo de um começo. Onde encontro a repetição. Eu quero o bis. Grito bravo para te convencer. Levanto. Aplaudo de pé. Vem, recomeça. Volta, árco-iris. Vem até mim, novamente. Disfarçado de insight, acesso, convulsão, morte súbita, parto prematuro, estilhaço, câncer no fígado, orgasmo, milagre. Repete, meu amor, repete.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Visita

Levou a vida que quis. Não se apresentou antes. Teve seus dias de larva, seus dias de fruto, e alguns dias enrolada em seu casulo. Apareceu para mim, na beira de um vento distraído e em férias. Pousou nos meus cabelos e no meu sono. Depois morreu. Deu-me palavras sem fins, seus gestos de mariposa antiga. Outra vez vida e beleza são breves. Pedem a eternidade ao fotógrafo. Volto aos tempos de preencher paredes de minha caverna. Eis agora minha mariposa inscrita no eterno.