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domingo, 8 de junho de 2008

Esconderijo

Se é proibido, eu te amo anônima. Fico escondida em baixo da cama e só apareço em noite de lua. Espero o ciclo do teu sono de mil anos, ensaiando um beijo indescritível. Se é proibido, te desejo em silêncio. Te ensino a leitura dos lábios que dizem teu nome e descrevem pernas, bocas e sustos. Se é proibido, guardo o momento em que me deste amor e finjo que te desconheço. Atravesso a rua sem olhar para os lados. Se é proibido, guardo o anel entre os meus tesouros. Algum dia, em nosso encontro, cantarei a promessa e a cerimônia. Se é proibido, ficarei cega. Te encontrarei em alguma esquina silenciosa. No meio-dia levantado, no auge explícito do intervalo. E este dia será repleto de cânticos e revelações.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Lençol

Frente ao mar, interrogações e silêncio. Sob a capa visível, é apenas um conjunto contínuo de águas. Oferecido sempre em horizontalidade, atravessa distâncias. Se eu pudesse andar sobre ele, seria uma ponte. Não posso deitar sobre ele, mar sem feitio de grama. Faltam-me asas e não posso sobrevoá-lo. Estou de frente para o mar. Não posso escalar, então é uma coisa sem alturas. Não posso dobrá-lo, não posso carregá-lo no bolso. Se pudesse pendurar num varal, o mar seria água escorrendo ou tela feita de azuis. Não posso estar no mar despreocupada. Mar tem coleção de perigos. Mar parece casa aberta e casa abandonada. E seus porões estão repletos. Mar é desafio. Mar surge vestido de meditação. Mar é inferno coberto de águas.