Este amor não vou publicar no jornal. Mas poderia anunciar, na sessão de classificados, que estou procurando esses olhos, nem azuis, nem verdes, que me dizem que um amor impossível é sempre o amor mais bonito. E quando viro a esquina, ao mesmo tempo em que os pneus do carro quase dizem uma frase inteira de desespero, parece pedaço de um filme esta chuva e este frio que me fazem tremer enquanto, obviamente, choro todo o choro atrasado. Choro no escuro, quando estou no meu quarto e a janela emoldura uma noite que não vai ter fim. Choro quase feliz porque há vinho suficiente e muitas músicas tristes. Choro porque não posso me esconder. Este homem, que nunca será meu, me dá aulas sobre a força e o encanto do amor impossível.
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quinta-feira, 23 de julho de 2009
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Um homem pergunta
Nada faz sentido. Pouse estes olhos perdidos sobre os objetos que desenham uma vida. Tudo que sou está escrito neste mapa de interrogações. Você não pode me entender ainda. Porque eu mesma estou buscando me compreender. E desconfio de que este é um dos trabalhos de um deus, Hércules que inventarei para meu próprio uso. Você vai me procurar no catálogo das mulheres possíveis e não estarei lá. Porque eu mesma duvido de minha existência. Não sei por onde começar ao pensar sobre o que sou. E talvez não haja nada com que eu possa ser comparada. Não pareço com as maçãs, ou lenços vermelhos, árvores tristes ou cadernos rabiscados. Não sou feita de mistérios. Talvez eu seja apenas um trecho aleatório no corpo da sinfonia confusa.
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