sábado, 13 de novembro de 2010
Sábado
já é tarde
e acordei sem saber que quarto é esse,
o meu quarto de sempre.
Agora
é cedo demais
para pegar a estrada
pois acabou a temporada de fugas
e há uma pilha de louças para lavar.
Agora
nem sei que horas são
dormi de tarde
acordei de ressaca
nao vi o dia passar e
quero desviar meu corpo
do espetáculo desta noite.
Se eu gritar
os vizinhos vão ouvir
vão bater na porta
e talvez me levem
para o hospital
para o hospício
para a rodoviária
para o aeroporto
ou para o IML.
Será melhor, então,
andar pela casa sem sapatos
relembrar o passado sem fazer alarde
rever as fotos sem esboçar um gesto sequer.
Fazer desta casa uma cela,
montar dentro da sala uma ilha,
usar o quarto para um playground precário
onde eu possa, pelo menos,
lembrar da alegria de pular na cama dos meus pais,
quando eu era criança
e não sabia que viver doía.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
A bolsinha
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Trânsito
sábado, 27 de dezembro de 2008
Calendário
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Geometria
O alvo se movimenta. Dança, provocando minha paciência ensaiada. Esboço a ironia na frase. Quero gritar o ataque, e uma bomba seria o perfeito instrumento. Arma sem distinção, golpe sem classe. Bomba faz sujeira e é indistinta em sua fúria. O alvo dança. Movimenta partes do corpo e grita impropérios. O dardo pede vôo. Seta viajante, sedenta de destino. O alvo tira a roupa, bate no próprio peito e provoca o lançamento. Poderia usar pedras, que são armas infantis. Toda pedra, ainda que trôpega, pode realizar o trajeto. Pedra soco, pedra tapa, pedra como eu posso cuspir no rosto dos que me ofendem. Escolhi o alvo. E ensaio agora o disparo horizontal e decidido. Porta fechada, e eis o ponto que encerra a frase equivocada de uma vida em seu desperdício.