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quarta-feira, 11 de março de 2009

Madrugada

Se ele dorme, deixo de existir. Há um homem nos meus sonhos. E ele dorme na floresta encantada. Está deitado na cama de vidro. Plácido e distante. A duração do sono deste homem é equivalente a duração da morte, aquela que será um dia minha realidade. Ainda que exista uma réplica do que sou povoando os sonhos, serei sempre, nos sonhos, apenas fragmentos irreais e desconexos. E assim que ele despertar, uma parte do que sonhou estará esquecida. Se ele dorme, eu viajo. E chego até uma terra longínqua. Nesta terra, deito-me na grama verde e artificial. Olho para o céu e fico cega diante da luz intensa do dia de amanhã.

Telhado de vidro

"algumas lágrimas bastam pra consolar... é a mesma porta sem trinco, o mesmo teto...meu amor, meu amor, tudo em volta está deserto, tudo certo, tudo certo como dois e dois são cinco"
Roberto Carlos


A vida brinca comigo. A vida me queima e põe na vitrina um óasis decorado. Toco a vitrine e só vejo a mesma janela do último andar. A vida brinca comigo. Me faz pensar que posso viver sozinha. E dispões as peças do tabuleiro até que você bate na minha porta. E desarruma a casa toda. Desarruma a casa da minha alma. Desarruma a desilusão que eu ajeitei. Estou com vontade de ir pro palco, outra vez. Eu quero voltar a cantar. Eu já escolhi o vestido mais lindo. E no repertório, canções de amor e desencontro.