O dia girou, um giro completo, em volta de si mesmo. E me trouxe de volta para o mesmo lugar. De volta ao início do dia, esperei que ele repetisse o movimento: giro, retorno, giro. E então, percebi que eu também estava girando ao meu redor. Sempre as mesmas palavras, sempre os mesmos medos, sempre a mesma reserva de alegria e de fragilidade. Os objetos, móveis para transformar os dias em fatos memoráveis, estavam dispostos na mesma ordem: cadeiras, documentos, feiras, bichos, soldados, máquinas, fios, pés, agulhas, folhas. E lembrei-me das outras pessoas. Talvez, para cada uma delas, houvesse outro modelo, repetível, duplicado, de duração e memória. Outro dia girou, um giro completo, em volta de mim. Balançou meus cabelos, derrubou alguma chuva, levou embora a crença no amor e não me deixou dormir.
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sexta-feira, 18 de junho de 2010
domingo, 30 de maio de 2010
Lição de vôo
Tudo começou assim. Eu queria que ele me ensinasse a voar. Ele me disse que não fazia isso para qualquer pessoa. E precisava de tempo para me conhecer e decidir. Que voar era para poucos. E eu não parecia audaciosa o suficiente. Não pude revidar. Eu queria voar, não estava dizendo que podia. Então, ele me encarou, fez-se um silêncio pesado. Depois de um tempo, disse: "Você tem medo de morrer?" Respondi, quase feliz, quase triste: "Agora não tenho mais". Então, você está pronta.
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