Para Elaine Hazin
Quando chove muito, gosto de ficar em silêncio. Chuva que não pára é exatamente igual a uma pessoa que tem muito para dizer. E diz coisas que preciso ouvir. Então, preciso ficar quieta, me movimentar pouco e apurar os sentidos. Ouvir. Cessar em mim a vaidade e o escândalo. Deixar de ser quilha, ponta, frente, flecha. E me transformar em água pura. Água que é substância própria de ajuste e acordos. Enquanto esta chuva desaba e insiste, me preparo para ficar deitada, em silêncio, no meio de uma revolução pura.
Quando chove muito, gosto de ficar em silêncio. Chuva que não pára é exatamente igual a uma pessoa que tem muito para dizer. E diz coisas que preciso ouvir. Então, preciso ficar quieta, me movimentar pouco e apurar os sentidos. Ouvir. Cessar em mim a vaidade e o escândalo. Deixar de ser quilha, ponta, frente, flecha. E me transformar em água pura. Água que é substância própria de ajuste e acordos. Enquanto esta chuva desaba e insiste, me preparo para ficar deitada, em silêncio, no meio de uma revolução pura.