quinta-feira, 7 de abril de 2011

O psiquiatra

Recebe suas perguntas
e seu olhar perplexo
fingindo que não olha.
Anota tudo, mas está de soslaio
E o que procura assim, feito um réptil?
Tua carne exposta?
Tua fraqueza?
Ou talvez a força
de agarrar-se a qualquer mínima tábua
no mar inquieto
e gigantesco
produtor incansável de ondas
imensas
que se chama
vida?
Ele tem contas a pagar
filhos infelizes
mulheres indecentes
e um carro que exibe sem ânimo.
Ele não tem a profissão dos sonhos
e usa os remédios
para trazer você de volta
à vida.
Enquanto, ele mesmo,
temeroso,
foge do mar:
o mar, assustador, diário
e gigantesco.

3 comentários:

Lidi disse...

Lembrei do poema "O acendedor de lampiões" de Jorge de Lima. Bjs

Chorik disse...

Matou a cobra e quebrou o pau.
Bj

Preta Guerra disse...

Divãneando
Meu saco vazio,
Parado em pé,
Ali bem em frente ao divã.

Minha boca,
Esvaziando tudo,
No saco do terapeuta.

Eu transbordando de coisas que não enchem mala,
Mas sacos...


2 comentários:
Eliana Mara de Freitas disse...
tem hora que terapia deveria ser embrulhada, para outras viagens