sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Bíblia

Quatro paredes não salvam.
Um céu sobre a cabeça,
o solo aos seus pés
e a garantia de uma semana com sete dias,
exatamente.


O calendário não salva.
As datas de nascimento,
Os planos para o futuro,
o cheque depositado
e uma promessa de descanso,
nos domingos.

O amor não salva.
Filmes românticos na memória,
lençóis limpos e água fresca,
dádiva ensaiada
e depois gritos que dispersam todos os planos.

Só a morte salva.
A morte com sua limpeza,
a morte com seu silêncio,
sua fala apaziguada,
afinal, o fim definitivo
das dores, das surpresas, do cansaço,
dos milagres.

A morte salva. E regenera.

3 comentários:

Maria Muadiê disse...

se eu pudesse teria escrito esse poema hoje

Í.ta** disse...

forte isso. mas preciso. é quando o poema vem e nos bate na cara. excelente!

tem concurso rolando lá no um-sentir, eliana. confere e participa =D

beijos!

Gerana Damulakis disse...

Excelente, E. Um eco banderiano na penúltima estrofe.