segunda-feira, 24 de maio de 2010

Caixa

Limites precisos. Ângulos retos. Tampa. E basta isso para fazer de uma casa, a cela. E dentro da cela, basta um grito para causar danos. E os gritos dentro da caixa são do gato alucinado, cheio de feridas, gato cansado das ruas e dos telhados escorregadios. A noite dos telhados não conforta. Não há liberdade nestes saltos. Limites precisos. Ângulos retos. Tampa. E basta isso para uma caixa ser igual a uma garra. A garra posta sobre meu pescoço. Meu pescoço imóvel e minha face lívida. Basta um grito para que alguém me salve. E salva, os gritos dentro da caixa são do leão alucinado, delirante dentro da jaula, feita de limites precisos, ângulos retos e grades. Por onde o sol, atrevido, entra e desespera.

5 comentários:

Pierre C. Cortes disse...

Minha linda,
Excelente como sempre.
Fique tranquila quanto ao tempo. Quando der, faça uma visita. Será bem vinda sempre.

Agora a história de ter netinho me deixou de boca aberta.
A nossa poetisa tem é uma carinha de menina.

Beijo grande.

Rogério Viana disse...

Eliana, aqui está tudo o que um monólogo necessita: direção.

O rumo está apontado. É só escolher como vai para lá. Numa rodovia tem sempre alguns atalhos. Numa ferrovia há sempre as paradas do caminho que não muda. Na hidrovia, o rio pequeno sempre vai para o rio maior e para o mar. Pelo ar, um avião de carreira tem uma carreira para seguir, onde pousar, a que horas. Mas pelo ar você pode viajar como um pássaro que migra, ou uma borboleta, ou uma vespa. Que tal viajar pelos sonhos? Também é um caminho. Ou pela loucura? É outro. Ou pela sensatez? Seria sensato monologar sobre isso? Eu andei monologando sobre minhas memórias. E o caminho escolhido sempre sofreu desvios interessantes e me fez ir de trem, de ônibus ou nas asas de um aparentemente insignificante mosquito. Abraços.

rm disse...

Texto com limites precisos. Palavras com ângulos retos... Uau!

Celine Ramos disse...

E basta o sol para sair da caixa?

(saudades suas)

luiz tolio disse...

é voar é tb um dom ,uma dadiva a que se arrisca pelos ceús , sem limites ,pousar sera nosso destino , mas as cordenadas podemos escolher .