sábado, 6 de fevereiro de 2010

O mar

Nasci humana e não sei caminhar sobre as águas. O vento tem um dicionário que desconheço. Seria melhor ter nascido peixe. Vida breve, olhos fixos, movimentos simples. Nasci humana e não posso encarar o sol. Gosto da idéia de nascer outra vez, animal leve, sem peso, que ao tocar a fiação das ruas, faça do gesto um rápido meio de transporte. Se eu tocar um fio, desmonta-se assim a ponte. E minhas mãos pressentem o abissal sem nome, o vazio que é ter nascido humana e sem guelras. Mesmo através do toque sobre finíssimas trilhas, qualquer descarga elétrica me derruba e vence. Nasci humana e agora é tarde.

7 comentários:

Lidi disse...

Eliana, escrevi um texto, semana passada, que dialoga com este teu. Adoro o mar. Beijo.

Georgio Rios disse...

Uma linda e vigorosa saudação a nossa adiração pelo mar e pela nossa condição de humanos!!!

graciete ram disse...

que lindo isso! apesar da tragédia da condição humana, há beleza!

dansesurlamerde disse...

eu queria nascer brisa.

Celine Ramos disse...

Flor do meu coração.
Não tem nem mais graça dizer que me emociona te ler.
Me emociona sempre o caminho e o sem rumo. Nasci humana e agora é tarde.
Agora é tarde pra ver tuas letras juntas e não juntar lágrimas.
Alguma coisa que sai de vc, sempre bate em mim e dói. Eu choro.

Uma flor pra vc, com tanto carinho.

Lana Damasceno disse...

Eliana..... adorei, amei o texto... incrível a cada dia gosto mais do seus textos .. Parabénss..
Beijoss

Marcelo Nascimento disse...

Belo, as vezes também lamento ter nascido humano, adoro imaginar que a vida de alguns outros animais é mais simples que a nossa, mas é tarde demais...