terça-feira, 2 de junho de 2009

É um pássaro

Carol, eu não sei com quantos paus se faz uma canoa. Também não sei o que vamos encontrar no final do arco-íris. O futuro dos meus filhos é um mistério. E não sei se estarei aqui na próxima copa. Sei a data do meu aniversário e desconfio que os que nascem sob o signo de escorpião são menos simpáticos que os aquarianos. Tive dois filhos e cometi duzentos e dois mil erros com eles. Tenho um neto e gosto de ouvi-lo cantando logo cedo, quando ainda não tenho humor suficiente para as coisas do mundo, e afinal ele começa a cantar as seis horas da manhã. Você acredita que eu fui capaz de amar dois homens ao mesmo tempo? Ninguém aceita isso, mas é verdade. Minto, de vez em quando, para sobreviver. E esqueço a verdade, sempre que posso, pelo mesmo motivo. Não tenho religião definida e Deus, se existe, não sabe falar minha língua. Eu tenho medo do dia de amanhã, todo dia. E não há quem me faça gostar da invenção da segunda-feira. Trabalho, porque me obrigam. Mas seria capaz de viver em comunidades e dividir até a escova de dentes. Se tem uma frase que me alerta é: combinado não é caro. Onde você foi? Não gosto de que me deixem falando sozinha. Ainda mais quando estou confessando meus pecados. Então, vamos combinar que nesta sua viagem, feita de mágica, você de vez em quando retorne, em forma de insetos leves. Coisas assim, de borboletas e libélulas. E solte gritinhos de alegria, pra eu ter a certeza de que outros mundos existem e guarde uma vaga pra mim em alguma nuvem. Beijinhos delicados.

Um comentário:

Rê Ettinger disse...

Li,
texto lindooooo!!!
Saudades de vc!
Bjo enorme!