sexta-feira, 4 de julho de 2008

A viagem de Lídia - parte 2

Então, com todo o dinheiro resgatado, e o êxtase pela vizinhança, pegou um táxi impessoal. Sem economia, sem gorjeta, sem conversas. Inacessível, sem exposição. Face quase impassível até a entrega da mala, mínima. Solta, casaco preto e sapatos confortáveis. Antes do café, uma dose boa de whisky. Depois, o prazer vagaroso: café sorvido em goles matemáticos. Gostava da força em medir os gestos. Escolheu gestos para efeitos planejados. Sabia que o ar desprendido atraía olhares. E abusou das arrumações estéticas. Para onde ia? Para o aeroporto do outro lado do Oceano Atlântico. Ali, a viagem seria diária. A mulher destemida e sem compromissos. A mulher disposta a todos os jogos. A mulher capaz de pagar para ter um homem na sua cama, no melhor hotel da cidade. Esta mulher, cheia de força e mistério começava o show. E o homem elegante, que lhe perguntou as horas, apesar de possuir um relógio bem visível no pulso, foi o primeiro coadjuvante. Ela soube reagir, com um sorriso teatral e, no segundo café, deixou que aquele homem pensasse que ela era uma mulher cortejada.

Um comentário:

Celine disse...

Muito bom! Uma viagem livre para ser o que achar que o momento merece.
beijos, flor