quinta-feira, 29 de maio de 2008

Eu apareço

Nas noites futuras, sigamos esta estrada


Agora transformo você em filho. Estamos na Páscoa. Faço o jogo e escondo o brinquedo, que é doce e faz a sua alegria. Espalho pistas, charadas, pequenos mistérios. Faço perguntas difíceis. Escrevo em dialeto secreto. Marco o chão de pegadas invisíveis. Em todas as palavras que escrevo estão as respostas que entrego. Quero que sejam seus os meus modos de entregar prazeres. Estou quieta, falei demais por tanto tempo. E aqui onde respiro, as palavras me cercam, tenho águas de viagem ao meu redor. As palavras me cercam e constroem caravelas enfileiradas, príncipes felizes, meus cabelos de extensão incálculável. Quero contar a você sobre a mulher velha que me visita. Quero de novo perder a noção do tempo. Quero viver outra vez a manhã em que, juntos, fiéis ao nosso desejo, expulsamos as horas e pessoas e criamos o mundo ao nosso dispor. Eu estou sozinha agora. E isso não me assusta mais. Não quero a certificação nem a posse. Entrego a você o mapa. Deixo portas e janelas despertas. Já está tudo pronto. Todos os dias em que você chegar, iniciaremos a festa renovada.

10 comentários:

Celine disse...

Senti a brisa que leva suas caravelas e não sei a que destino.
Muito lindo, flor, como sempre. Sinto em minhas pernas seus cabelos, que só crescem.
Beijos. Ótimo dias.

The Ghost Writer disse...

Olha Li,
tenho quase certeza de que esse caboclo se esconde nas montanhas... Mas é fácil de se achar, viu?

Anônimo disse...

Agora que achei, sinto-me envergonhada. Vergonha de voyeur que prefere buracos de fechaduras à portas abertas...

Algo acontece. E que lindo.

Eliana Mara disse...

Celine,

o silêncio não é metafísico. Histórias bem normais, dor de dente e gripes.
E tua presença? É feito chá de maçã com canela.
Então, esteja.

Beijo.

Eliana Mara disse...

Fantasminha que me escreve:

eu tenho o mapa das montanhas.
E sabe, o mar pode enlouquecer, se não houver montanhas para dar senso de realidade.

O caboclo tem tempo para um café???

Abraços.

Eliana Mara disse...

Anônima,


promete que volta, então?
Já tens a chave... E se precisar, tem sempre uma reserva atrás do quadro.

Beijo.

rm disse...

Ei Li,
o seu com açúcar ou adoçante?

Cê sumiu, menina! Afinal, onde é que você se esconde?

(ainda?) Anônima. disse...

Não sei bem ao certo os porquês (...)
Mas esses textos ( o teu e este aqui) dialogam, talvez troquem gritos.



"Na praça harmônica, em meio à cidade caos, prosa e cervejas. Sinceras.
O nó da garganta se desfaz com o esvaziar-se das garrafas e
a transparência fere os olhos, que ardem vermelhidão.
Falar nunca é tão fácil, sobretudo quando a poesia permanece dentro do carro, enquanto seguimos a sós.
O verbo concretiza as tapas. O sarcasmo, a dureza dos termos, a acidez das entrelinhas, abrem espaço para o cuidado. Delicadeza.
Penso nas noites, no trânsito, nos bares, na taça que quebrei na primeira raiva, no abraço que se seguiu pós taça. Nas propostas ousadas, quase sádicas, mesmo segredando o desejo de ouvir um “não, jamais”.
Das ultimas noites não dormidas, entre livros, papeis pela mesa, pela cama, pelo chão, o que não lhe fiz saber além das minhas olheiras, foram dos fragmentos que joguei num canto, todos tão incompletos em informações, mas cheios de um desespero em lhe alcançar. Releio as cartas... me irrita a sua resistência. Há tanto de você nelas que eu estremeço.
O mistério do que é sentido e do que faz e não faz sentido.
É Querer. Querer que move."

rm disse...

Não sei se dialoga, mas é outro texto lindo.

Gostei dessa (Ainda?) Anônima; pena que (ainda) não a conheça. Ou será que já conheço?

r a c h e l disse...

Andei sumida, bem sei. Mas lindo texto.

Essa frase me arrepiou: "http://www.papelpop.com/a-bunda-do-orlando-bloom-e-os-peitos-da-miranda-kerr/"


Bisous querida,