segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Cobertor

Ou talvez, que ao mer ver dormindo no sofá, enquanto a televisão chia, saibas que o melhor conforto é interromper o frio e me deixar em sonhos. Cubra meu corpo como faz a mãe, diária. Se amanhã eu morresse, serias capaz de me entregar uma mentira, me darias o alimento. Alegorias de morte, há muitas pelo caminho. Posso imediatamente morrer de fome, morrer de rir, morrer de tédio. Eu só quero este abraço, sem pressa. E se for preciso, apelo para a velha história e te peço um beijo no asfalto.

2 comentários:

Amèlie disse...

Bonjour, flôr de LIs,

Acho que já morri muitas noites, muitas manhãs, muitas vezes, enquanto minha pele se despia, vagarosamente, e eu só tinha o conforto do meu cobertor e dos meus travesseiros.

Penso que nunca hei de entender o tamanho dessas horas em que "o abraço" nunca chega.

Beijo pra ti.

Eliana Mara disse...

Amélie, querida,

neste espaço, em que posso misturar sentimentos meus e sentimentos de personagens, tento entender (e não consigo) porque algo aparentemente simples como entregar afeto, pode se transformar em um novelo embaraçado ao infinito.
Eu estou, além das personagens, buscando um lugar simples em que amor possa, de fato, ser o destino.

Beijos.