sábado, 3 de novembro de 2007

Promessa

Ele me disse, assim que nos conhecemos: estarei lá, todos os dias.
Acreditei. E ainda espero.
Venho todos os dias, no local do encontro. Olho para os lados. Trago presentes, me arrumo, uso perfume.
O dia passa, o sol vai embora. E ele não chega. Mas ele prometeu. E eu, parente de Penélope, espero enquanto vou tecendo a colcha feita das palavras com que me visto.

2 comentários:

mari celma disse...

Isso deixará de acontecer quando ele sentir o perfume...perfumes são amostras de alma!

Eliana Mara disse...

Mari,
o que tem aqui é uma experimentação: sendo escrita narrativa, me interessa o modo como o tempo é trabalhado. A biografia é um motor, vai dando assunto. Se reúno em "aeroporto" um certo jeito das mulheres, de idealizar e montar um objeto amado, talvez encontre a estrutura correta para o futuro romance: Tulipa Rosa.
Há uma diferença nos círculos: começam a ficar previsíveis e mostrar quais as fraquezas que nos fazem cair em armadilhas afetivas. Lá no fundo, no fundo mesmo, penso que as mulheres precisam ter na alma uma certa dor de não serem compreendidas. E isso talvez tenha muito de encenação. Tão sempre encenadas, certas emoções doem e alegram como se fossem reais.

Bjs