sábado, 31 de outubro de 2009

Deserto

Para Wilson Neves, poeta féerico das imagens


Não é preciso nenhuma poesia nova
para habitar as porções desertas do mundo
No deserto
os grãos espalhados fazem todo o sentido.



Não é preciso nenhuma poesia nova
ou versos
lutando para despertar
o sono antigo e demorado
das pedras no deserto.



Não é preciso nenhuma poesia nova
ou imagens extravagantes
querendo provar que o deserto
precisa ser descrito e enaltecido

O deserto está para sempre ali,
na luta diária contra o vento,
na luta diária contra a noite fria,
na luta diária
do grão e da pedra,
contra os pés insistentes
e as palavras barulhentas dos ciganos



11 comentários:

A tea for two. disse...

Bliss num átimo

Nas páginas oníricas ela estava morta. Assim, subitamente, com toda a improbabilidade que os meus olhos exclamavam no silencio agudo do susto. Naquela situação de ausência a presença fez algum sentido a mais.

Dirijo sonolenta dentro da madrugada fria. A pele toda tato - e o que a boca não emudece, os cabelos segredam: pulsões absurdas de toda vida que houver. O “vir a ser” se tecendo em passional doçura.

Nas páginas dessa (su)realidade, uma versão possível Dela: a literal versão mais jovem, rebeldias bordadas com sutilezas quase ensaísticas. Era ela, mas n´outra possibilidade Dela e comungado da minha geração, dos meus preceitos, do meu tempo que passa num ritmado diferente. E esta, diferente daquela, sujeita às variações lunares.

Tessitura de encantação. Passos silenciosos e seguilíneos by my side. Prendo a respiração e sigo em silencio na direção oposta: Coração batendo festivamente, olhos sorrindo inteirezas.

Anônimo disse...

o wilson!!! joga um pouco de agua nese deserto por favor!!!!!!

hijakskank disse...

Lindo! Raptei e coloquei no meu blog...o wilson ficou feliz. Pobre mortal...perdido neste deserto todo. Vou mostrar o poema pra ele na próxima abertura dos portões, sei que ele quer agradecer também, mas o que tomam conta dos portões não deixam ele falar há mais de 20 anos...

Ana Claudia Pantoja disse...

Coincidência feliz! Estou lendo "No Teu Deserto", de Miguel Sousa Tavares. Acho que você vai gostar.

Beijão

gildeone disse...

Legal.

Esse deserto-multidão é provacante.
Bela poesia!

Vanny Araújo disse...

Professora, isso tudo aqui é lindo.
Não canso de ler cada letrinha disso aqui.
Abraços.
Vanny, de criação :)

Ademir Furtado disse...

Eliana,
Se foste professora de Literatura na UFRGS lá por 1996-97 fico muito feliz de ter te encontrado. O único meio de entrar em contato contigo que encontrei foi por aqui. Fui teu aluno, e agora soube que estarás em Porto Alegre, na Palavraria no sábado.
E eu estarei lá para te dar um abraço
Ademir

volanzer disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
volanzer disse...

Cara professora Eliana,
Meu nome é Volnei, eu estava na sua palestra na Uniritter e estou passando para lhe dizer que foi muito bom lhe conhecer,lhe ouvir falar, até fotos tiramos...Risos.
Quem sabe um dia desses, quando acometida de insônia e servida de café pelo "amado", se ainda tiveres disposição, comente o contocomcontos.blogspot.com Claro que lá não encontrará grandes obras literárias, pois ainda estou começando a molhar os meus pés nas águas dos oceânos da escrita.
Suas críticas farão com que eu adentre ainda mais confiante nessa imensidão oceânica.
Um forte abraço, sucesso.

Marcelo Nascimento disse...

Minha querida Eliana!!!
Montei um recital só com textos seus aqui em maracás, para um grupo de meninas, elas adoram recitar seus textos ficaram mesmo apaixonadas. Marcamos outra apresentação para o dia dez de dezembro.

bjz bjz saudades.

Marcelo Nascimento disse...

Minha querida Eliana!!!
Montei um recital só com textos seus aqui em maracás, para um grupo de meninas, elas adoram recitar seus textos ficaram mesmo apaixonadas. Marcamos outra apresentação para o dia dez de dezembro.

bjz bjz saudades.