quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Varal, fraldas e chuvas

Antes, quando os tempos eram outros, as fraldas eram de panos. Cada família exibia uma estampa que era a sua bandeira. Fraldas branquinhas, cheias de alvura, anunciavam novamente a vela acesa. Água quente nas panelas, choro diário, páginas para escrever tudo.
Você passa pela rua, tem pressa, vê o varal e as fraldas. Segue o itinérario e nem olha para trás. Outro dia, outras urgências, você passa e as fraldas são as mesmas, pintadas de poeira rápida e marrom. Mês que vem, você caminha devagar, as fraldas, no mesmo número de antes, aquelas de sempre, apanhadas por uma chuva que põe lama em cada fibra. Este mundo já teve seu apocalipse. Caim e Abel contrariados, Deus passeia ao longe e a mulher gira em torno de si mesma e de seu leite.

9 comentários:

Filó disse...

Sim, meu anjo...
E pior: hoje em dia até as fraldas são poluentes...

Lindo texto, parabéns!

Filó!

Depois passa lá em casa pra rir um bocado numa aula prática.

Celine disse...

Lindona.
Passamos caminhando, sempre por fim.
beijos

Denise do Egito disse...

Oi, Eliana

Linda poesia com as fraldinhas. Adoro nenéns! ;-)

Como faço para ler o Overmundo?

Eliana Mara disse...

Denise, querida,

conheci o Overmundo ontem e estou adorando. Tem que fazer um login (RM entrou mas não sei como) e vale super a pena. É uma outra confraria legal.


Beijos

Patty Diphusa disse...

Oi querida, foi tão bom receber sua visita. Estava com saudades. De vc e dos seus textos.

Eu acho que vou te mandar um conto que escrevi um dia desses. Pra vc dar uns pitacos.

Bjs

Mr. Almost disse...

Líndíssimo texto, evocando os tempos em que a vida que era mais simples e, como todas as coisas simples, bela.

Beijos!

JIVM disse...

Eliana, dei uma assuntada no teu varal. Apesar de chover, lá fora, e da janela está fechada, o teu dia é de borboleta e as tuas fraldas estão enxutas, limpas, alvas. Nas minúsculas, os barros do Manoel. Aquele menino levado do Pantanal deixou lá as marcas de seus dedos.
As missivas são fortes. Certeiras. Poéticas. Chove. A janela, fechada. Mas os teus grafitos são aberturas. Abraços.
JIVM

Amèlie disse...

Por onde andarás Eliana Mara????

Eu que ando buscando sos contentamentos mais densos, encontro refúgio aqui.

Saudade de você. Tens feito muita falta.



Beijos!

Denise do Egito disse...

Passando por aqui à procura de post novo...

Uma excelente semana para você!