quarta-feira, 25 de junho de 2008

Régua

Seria do tamanho de um soco no estômago. O tamanho de um soco, vindo de mão muito grande e bruta, no estômago de um bebê. Soco bruto e grande no estômago de um bebê prematuro. Seria do tamanho de uma agulha grossa furando um olho. O tamanho de uma agulha grossa e enferrujada furando o olho surpreso. Seria do tamanho de uma bala quente, estourando os miolos da mulher assustada. O tamanho da bola e do calor que estoura miolos. Seria do tamanho de um estupro de meninas vítimas da guerra. Uma menina apenas, estuprada por vários soldados quentes, munidos de socos, calor e balas. Seria uma calda quente despejada no ouvido. Uma calda quente, no ouvido, tortura para durar horas. Ouvido estourado, miolos quentes, tortura despejada, meninas, bebês, olho furado. Seria uma dor tão grande, quanto um corpo vivo sendo esquartejado, enquanto vivo. Ou então, uma lista infinita de dores que cabem na imaginação e na realidade humana. Nada poderá medir a dor que você vai sentir quando seu filho for assassinado.

6 comentários:

Celine disse...

...

rm disse...

Ei Elianinha,
não sei o que a motivou a escrever esse texto tão forte, mas sei que às vezes fatos do cotidiano lhe servem de inspiração ou afloram ainda mais a sua sensibilidade.
Já na escrita, consigo reconhecê-la um pouco melhor: agressiva ou terna, sempre lírica.

Eliana Mara disse...

RM,

tem uma coisa que acontece com quem escreve... Algo surge, dentro do peito, dentro do pensamento e se impõe. Esta imagem apareceu, dominadora, enquanto eu dirigia. E não conseguia me livrar dela.
E foi muito difícil escrever porque tenho um filho, tenho um neto, e quase senti mesmo a naúsea que aparece simbólica no texto.
E isso é uma questão que assusta: o que chega, com tanta força, que não me dá a opção de não escrever.

Que bom que o lirismo não me abandona mesmo quando tenho que passar por lugares de horror.

Beijos.

Celine disse...

Tive medo de ter acontecido alguma coisa com sua familia quando li esse texto.
Beijos

Luciana G. disse...

É moça, um texto soco no estômago.

Não perdi filho assassinado, assim arrancado da gente, feito mutilação.

Mas perdi 4 ainda na barriga. Dói, como dói.

Beijo!

Ivone Souza disse...

Eliana,
Eu estive fora uns dias! Só pude acessar a net ontem. Mas já tô saindo dessa vida de blogueira. Houve algumas confusões lá no blog de Maria Elisabeth e eu resolvi desistir de escrever por aqui. Decidi que não quero me expor e nem expor meus textos. De qualquer forma valeu ter me batido com vocês. Gostei mesmo de seus escritos.(Lembrarei de vocês em meu livro, com certeza!)
Beijos e boa sorte!