sábado, 19 de abril de 2008

Exílio

Para um amigo que perdi, numa noite de inverno


Eu não sou a sua pátria. Eu não sou a sua mãe. Eu não sou o seu partido político. Eu não sou o portador da arma. Eu não sou a testemunha. Eu não sou a mulher que o abandonou justamente na hora em que seu coração resplandecia. Eu não sou seu pai, impassível diante da sua fragilidade. Eu não sou sua solidão, freqüente e pulsante. Eu não sou a dor nas costas antes de dormir. Eu não sou as dúvidas sobre a ética. Eu não sou suas pequenas traições. Eu não sou sua mania de ganhar discussões. Eu não sou seu choro guardado em tantas mil chaves. Eu não sou sua vaidade. Eu não sou seu filho ainda não nascido. Eu não sou o mar que levou seu irmão. Eu não sou o seu começo. Eu não sou a lua que se esconde. Eu não sou este sol excessivo. Eu sou o meu afeto por você. E mais do que isso.

4 comentários:

Roney disse...

Ô Elianinha,

o comment é inteiramente fora do contexto, tá? Mas esse amigo exilado, aí da moça do post, é aquele mesmo melancólico-festivo? Não, né?

Puxa menina, mas essa outra aí só arranja amigo esquisito, heim?

Eliana Mara disse...

Ô, Roneyzinho,
essa outra gosta de umas esquisitices, eu acho...
Mas não é o mesmo não.
O outro, melancólico-festivo, não tem previsão de exílio.
É recém chegado e sempre bem vindo.


Beijos

Celine disse...

Perdeu mesmo, flor?
O seu afeto já lhe faz tê-lo, sem perder.


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Um amigo estava comentando sobre a peça. Não assisti. POdemos sim. Vou ficar muuito feliz em te encontrar..em qualquer lugar.
Beeijos.
=**

Eliana Mara disse...

Olha, tenho dois ingressos. Já assisti mas preciso assistir de novo, porque assisti sem óculos de grau (rs)
Podemos tentar ir juntas...

Bjs


(perdi mas é como se tivesse recuperado, a escrita traz de volta objetos esparsos)