quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Nada

Se fosse possível dividir o nada
em pedacinhos.
E então, mirá-lo, bem de perto, quase tocá-lo.
O nada chega assim, inteiro,
um bloco todo branco,
bloco de gelo, parede sem discurso.

E o nada quer passar
pela garganta
mas não há como mordê-lo
menos ainda mastigá-lo.

Fica assim, o nada entalado,
boiando no ar
sem endereço
o nada me acompanhando
sombra mais que silenciosa,
o nada,
onipresente,
Deus é o Nada,
quando o Nada se apossa de mim
e leva embora a fé
que nunca tive.


2 comentários:

Renata (impermeável a) disse...

é que o nada e o tudo se completam tal qual yin e yang
tal qual vazio e deus....

Alisson Vital disse...

Belimas palavras... tocante, profundo. Chego a ver o nada...Parabéns