domingo, 4 de setembro de 2011

Modelo

A chuva chega até mim como o exercício de desenhar o nu, fixado na memória.
O nu, exposto aos meus olhos, para o registro fiel, se move e desvia minha atenção, porque respira.
Modelo ao vivo, a chuva cai sem repetições. 
Quero captar seus movimentos, enquanto ela se manifesta, quase indiferente.
A trama do vento é quase polêmica. 
Pedra no caminho do desenho.
O vento passa e são os pensamentos do modelo vivo. 
Pensamentos que retiram o olhar que já era um traço definido.
A chuva fustigada pelo vento é corpo que viaja para longe, sem que eu possa
desenhar o contorno desta alma.
 

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