sexta-feira, 12 de agosto de 2011

I.M.L

Eu andei desaparecida por uns tempos. E os via, em cada esquina, procurando restos do meu corpo. Ou rastros. Ninguém viu quando eu saí de casa, mas me lembro de ter batido a porta, com força. Lembro bem que ao bater a porta com força, fez-se um barulho. E começaram a procurar meu corpo, imaginando encontrá-lo aos pedaços, no freezer; visitado pelas moscas, no quintal de uma casa abandonada; crivado de balas no lugar ermo; sem a cabeça, ao lado de uma carta. Eu estava sem dar notícias há tanto tempo, e eles começaram a dizer que me conheciam e talvez até sentissem falta do barulho que eu fazia. Assim, desaparecida, eles lembraram de abrir a porta do quarto onde eu vivia. E tudo que queriam saber estava ali.

Um comentário:

Chorik disse...

Tétrico. Poeticamente tétrico!