domingo, 31 de julho de 2011

Mutação

Outro poema para Nilson Galvão


Um tempo de poucas palavras.
Uma época de tanta chuva, que dispensa palavras.
Se a chuva é a eloquência, para que usar palavras agora?
Viajando para este país que sou eu mesma,
turista sem mapas
e esquecida das rotas.


Um tempo de muitas perguntas.
Uma época de descrença nas respostas, prontas ou em elaboração.
Se andam por aí divulgando informações exaustivas, incríveis e velozes,
para que estaria eu acreditando em alguma certeza?
Viajando para esta casa que sou eu mesma,
perco as chaves.
Lavo toda a louça
e os armários, onde a louça deveria ser guardada,
desapareceram.
E espero então, como Alice,
uma porta pequena,
um coelho gago,
um vidrinho com poção mágica,
para encontrar alguma maravilha.

4 comentários:

Nilson disse...

Oi, Eliana, sua poesia, cada vez melhor. Turista sem mapas nessa época sem chaves nem armário pra guardar as louças, à espera da portinhola, do coelho, do vidrinho de maravilhas. Sentimento bom de receber um presente assim. Já que é presente: posso publicar lá no Blag?

Eliana Mara Chiossi disse...

Amigo, li seu comentário agorinha. E vi que tinha um errinho de concordância no poema.
Publicar no Blag é dar docinhos pra minha criança.
Coloque "armários", pra concordar, tá?
Saudades também!

Lidi disse...

Adorei, Eliana. Em breve, um livro de poemas? Nilson, que belo presente! Parabéns. Bjs

Eliana Mara Chiossi disse...

Lidi,

e aí, poeta querida.
Feliz com a antologia?
Saudades de ter você mais perto.
Vamos ver se dá tudo certo e apareço por aí em Setembro.

Bj