sexta-feira, 1 de julho de 2011

Estações

Para Chorik


Mais do que Vivaldi, quem poderia tocar a alma das estações?
Eu, figura mensurável, sustentável por dois pés,
o número justo de braços, boca e
uns cabelos plásticos, que sonham em ser desenhos.

Eu, assustada com um frio, este, que inaugura outro tipo de cansaço,
respirando curto, pisando devagar para não olhar de frente
aquelas pessoas que não olham de frente.

A cidade nova é uma pergunta.
Não faz diferença alguma se frequento bares, mercados, ruas e poças dágua desta cidade.

Um número a mais,
um transeunte desnatural,
eu, andando com minha identidade plastificada na bolsa.


Mas, se alguém pudesse olhar
o universo que é minha bolsa
veria que
minha identidade plastificada
documenta
o universo que é
minha alma.

3 comentários:

Tinzia Menezes disse...

Olá, Eliana Mara.

Sempre passo aqui no seu blog e leio todos os seus textos, mas nunca tive coragem de comentar porque tenho medo de escrever besteira... então, fico só espiando a beleza que é esse seu universo, que de plastificado, não tem nada. Suas palavras são capazes de tocar as estações que habitam a alma das pessoas.

Espero não ter falado nenhuma bobagem e obrigada por manter público um blog (mundo) tão bonito.

Chorik disse...

Quem sabe um dia eu possa olhar sua bolsa e desvendar esse universo de poesias e possibilidades?
Obrigado pelo poema!

Nilson disse...

Belo poema-bolsa para Chorik, o japa que sabe das coisas! Saudade, Eliana!